Economia, Religião e Sociedade

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Imigrantes e seus valores

Observando alguns grupos de imigrantes, nota-se que certas culturas mais fechadas tentam se tornar impermeáveis à cultura do país para o qual imigraram. A dificuldade dos coreanos em assimilar costumes brasileiros é um exemplo.

Fechados, os coreanos tentam se isolar dos outros. Rapidamente, erigem associações, fazem encontros e proíbem seus filhos de namorarem ocidentais. A luta para manter sua cultura torna-se maior ainda, justamente por terem que se opor à cultura dominante, dando um caráter eminentemente conservador às famílias.

Mesmo se observarmos os alemães do Vale do Itajaí e em outros lugares com grande concentração de descendentes germânicos, é notória uma grande preocupação em manter seus laços culturais. Contudo, a colonização alemã já iniciou há mais de século, evidenciando a impossibilidade de continuar impermeável à cultura dominante brasileira, já que hoje, já há perdas maiores nos centros urbanos com a tendência inexorável à miscigenação.

Em compensação, nos próprios países de origem, a cultura já mudou muito. De certa forma, a cultura que os imigrantes tentam manter é um retrato do passado cultural daquela etnia, já com algumas influências do Brasil. Assim, os imigrantes são mais conservadores, em muitos aspectos, do que seus compatriotas que ficaram por lá, cujos valores culturais tomaram caminhos diversos.

Não é o alemão, o japonês ou o coreano que são conservadores ou reacionários*. Os daqui é que se tornam, numa luta para manter seus valores. Algo semelhante ao cristianismo em seus primórdios, sobre o qual Stuart Mill trata em seu “On Liberty”: ferrenhos defensores da sua religião, mesmo correndo risco de vida. Entretanto, quando aquilo pelo qual se luta torna-se dominante, os valores começam a se perder, relaxa-se na defesa deles. Apenas com uma oposição, ameaçados por concorrência, é que se fortalecem os valores.

*Segundo Weber, reacionário é aquele que quer voltar ao passado, diferente do conservador, que quer manter as coisas como estão.

13 Comments:

  • Bem, excelente ponto, mr. Kang. Como descendente da 3a geração (mas de nipônicos), vejo exatamente este fenômeno. O mais brutal - aí relato minha experiência - é o seguinte: todo mundo quer que a associação cultural tenha sucesso e tal. Aí não tem descendentes suficientes. Apelam-se para brasileiros(as) que, normalmente, ou se casaram com descendentes, ou então são daqueles admiradores (frequentem cursos de japonês ou curtem mangás, por exemplo).

    Os brasileiros vão lá e ajudam. Na hora de agradecerem, viram a cara.

    Não são todos, mas o que me assusta é como este comportamento persiste por mais de 10 (dez) anos.

    E você disse tudo. Outro dia um japonês fez o mesmo comentário comigo: "engraçado como o povo daqui gosta de coisas que nós não vemos mais da mesma forma".

    O lado bom é que se criam novas culturas, por assim dizer. O lado negro é quando estas se degeneram em guetos racistas.

    Eu, claro, só tenho a dizer: viva a música coreana, Cho Yong Pil, e a música japonesa e chinesa. :-)

    By Blogger Claudio, at 12/23/2005 08:22:00 AM  

  • Ueh, não vejo problema nenhum em misturar duas culturas... O resultado, muitas vezes, é, no mínimo, interessante. E é por isso que eu acho que, normalmente, há choque entre os mais velhos e as novas gerações. Os mais velhos tentam, a todo custo, manter tudo exatamente como era, o que pra eles é muito importante (e adultos têm maior dificuldade de adaptação). Já as crianças/adolescentes entram em contato com outra cultura, costumes diferentes, têm amigos diferentes... E pra eles aquilo é o normal, pois assim a escola ensina, assim são as famílias dos seus amiguinhos.

    Só sei que deve ser bem difícil pra eles (vcs). Sei lá né.. Não tenho mt como opinar prq minha família é completamente sem tradições (o q tb não é bom).

    Beijinho! (férias!!! \o/)

    By Anonymous Lin, at 12/23/2005 01:25:00 PM  

  • Claro, não é problema misturar culturas. O Cláudio disse td: o ponto positivo é a criação de novas culturas e o negativo é a criação de um certo racismo. A idéia foi apenas constatar esse fenômeno: nos próprios países de origem, algumas idéias já não são tão valorizadas. É uma coisa interessante isso, pelo menos, eu acho.

    De fato, o choque de gerações existe. Não precisa ser imigrante pra acontecer isso. O que ocorre é que no caso desses, esse choque é maior, caso seus coleguinhas sejam brasileiros. Se você tem uma escola coreana, como tem em São Paulo, seus coleguinhas também são como você. E daí, bem, temos uma espécie de isolamento. Uma escola de ensino fundamental e médio coreana no Brasil nada mais é do que a mesma tentativa de se manter a cultura. E até agora, tem dado certo. Isso é bom? Têm pontos positivos e negativos...

    By Blogger Thomas H. Kang, at 12/24/2005 04:52:00 PM  

  • Ah, ainda bem que meu pai deixaria eu me casar com uma ocidental (ufa! Ainda bem que ele é uma rara exceção...).

    By Blogger Thomas H. Kang, at 12/24/2005 11:16:00 PM  

  • Realmente, tu tem sorte! (A Suzie que o diga neh! Ela taí pra provar que tua família não é "conservadora" nesse sentido.)

    E não sabia que existiam escolas só pra coreanos! É uma boa, eu acho.. Apesar de que é bom também a mistura.. Pra criança aprender a aceitar as diferenças e não se achar pior ou melhor.

    By Anonymous Lin, at 12/27/2005 01:11:00 PM  

  • Há também a questão da tradição x tradicionalismo, que se encaixa bem nesse seu post!

    Até que ponto a manutenção de certas valores e costumes impede o próprio desenvolvimento daquela sociedade e a sua interação com outras?

    By Anonymous Loyola, at 12/28/2005 10:16:00 AM  

  • melhor vc explicar isso melhor pra mim...

    By Blogger Thomas H. Kang, at 12/29/2005 11:29:00 AM  

  • caro thomas, veja o blog...imigrantes...minha avó...

    By Blogger Claudio, at 1/03/2006 02:51:00 PM  

  • http://japundit.com/archives/2006/01/05/1823/

    those crazy nippo and koreans... :-)

    By Blogger Claudio, at 1/05/2006 11:39:00 AM  

  • Muito interessante o artigo. Mas já vou adiantando que você, Thomas, é uma exceção à esta regra. Mas o mais interessante é que você falou dp "retrato do passado cultural daquela etnia".

    Meu pai tava falando que conheceu um cara alemão, que veio estudar a língua alemã aqui no Brasil. A língua alemã sofre profundas influências depois da segunda guerra, principalmente a influência de língua inglesa. Afinal, quase todas as palavras recentes, de quatro décadas pra cá, são americanizadas. Ou seja, o sujeito veio pro Brasil ver como a vó dele falava alemão, hehe. Absurdo!

    A colonização alemã no Rio Grande do Sul foi muito mais "misturada" com outras etnias. Converso muito sobre isso com minha vó. Ela morando na colônia tinha vizinhos negros, espanhóis, polacos, russos, brasileiros, etc. Enquanto a colonização alemã em SC se manteve isolada até praticamente a explosão de indústras que ocorreu na região de Joinville, Jaraguá e Blumenau. Atraindo assim muita gente do norte do Paraná, São Paulo e Nordeste. Não é pra menos que os catarinenses até hoje são taxados de "fechados". Mas em contrapartida, por ser um povo mais fechado, as relações adquiridas são levadas com muito mais seriedade.

    By Blogger P-Deh, at 1/10/2006 11:51:00 AM  

  • O Thomas, teu pai faz questão de que tu cases é com uma alemoa! Hee

    By Blogger P-Deh, at 1/10/2006 11:53:00 AM  

  • haeaehheaehaehaahah!

    By Blogger Thomas H. Kang, at 1/10/2006 12:46:00 PM  

  • tudo bem, cai aqui de para quedas
    mas namoro um coreano
    e naum é facil
    na verdade tá sendo horrivel pra nos dois

    eu qeuria entendem a cabeça d um coreano. nos costumes e familia.
    quando vc sai de casa ou é expulso, o mais velho da familia(no caso o pai dele) pode proibi-lo de ver a familia pra sempre? pois no caso dele... tá chegando a este ponto. e a avo dele? quer trazer uma coreana pra casar com ele! me ajuda..............bru

    By Blogger bru, at 9/14/2006 03:13:00 AM  

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